MUMA

Projetar a ampliação do Museu do Meio Ambiente do Rio de Janeiro vai além da simples inserção de um edifício anexo à pré-existências históricas em um dado terreno e suas relações com os mesmos.

Os conceitos envolvidos neste processo englobam desde o objeto arquitetônico até a conceitualização do programa enquanto co-participante de todo um processo de qualificação e divulgação didática de nosso papel na sociedade, sobretudo sob o ponto de vista da preservação ambiental, ou seja, do ambiente em que estamos inseridos.

Ao projetar uma inserção com caráter de anexo a uma pré-existência histórica, basicamente verificamos as possibilidades de “diálogo” de proporções, formas ou mesmo o modo como o “velho e o novo” devem se conectar. Paradigmas que se limitam às características históricas do objeto e remetem a real qualificação histórica do projeto anterior, ou seja, sua relevância simbólica.

Entretanto, o que temos é um tombamento de uma área e não de um simples objeto arquitetônico. Sendo assim, não podemos nos limitar a uma análise de relevância do objeto (Prédio Histórico e Residência Pacheco Leão – P.L.).

Ao tombar uma área, tombamos fundamentalmente as relações desta com quem a usufrui, ou seja, o tombamento refere-se não só às características físicas, mas principalmente às relações das áreas e objetos entre si e com o usuário.

Desta forma, a força do tombamento da área do Jardim Botânico e do sítio levantado no concurso é absolutamente superior às fachadas dos prédios históricos ali existentes. Trata-se sim, por exemplo, das relações de suas janelas com o Meio Ambiente, ou seja, do meio em que estes estão inseridos; das relações de escala destas edificações ou mesmo da fonte do jardim central (P.L.) com os usuários; das relações de apropriação de espaços destes usuários enquanto participantes do Complexo; da valorização dos jardins, dos percursos, do caráter de cada inserção anterior (histórica) enquanto protagonista de um espaço que é verdadeiramente seu.

Nosso projeto busca este diálogo sutil, mas de extrema relevância entre uma Área tombada, e a ampliação de seus potenciais sem, contudo, sufocar o meio em que estão inseridos. Sustentabilidade é um termo inerente à boa arquitetura, neste caso, o respeito extremo ao meio.

co-autores: Arq. Jean Grivot, Arq. Lucas Obino, Arq. Carolina Souza Pinto